Ibsen

Factos

Os Guerreiros de Helgeland

Ibsen tomou nota de algumas ideias para Os Guerreiros de Helgeland depois de acabar Lady Inger of Østråt na segunda metade de 1854. No prefácio da segunda edição de The Feast at Solhoug, escrito em Abril de 1883, Ibsen descreve como nasceu a ideia para Os Guerreiros de Helgeland:

«Por outro lado, foram as sagas familiares islandesas em que eu encontrei, integralmente, o que eu precisava em termos de ambiente humano para os humores, ideias e pensamentos que me preenchiam na altura ou dos quais eu tinha, de qualquer modo, uma ideia mais ou menos clara. Até então eu ignorava, na verdade mal ouvira falar, destas antigas contribuições literárias nórdicas para a história do povo da época das nossas sagas. Por acaso, chegou-me às mãos uma excelente tradução de N. M. Petersen – excelente, pelo menos, no que se refere ao tom da linguagem. Nestas crónicas familiares com os seus vários relacionamentos e episódios entre homem e mulher, mulher e mulher, no fundo entre ser humano e ser humano, chegaram até mim vidas com um conteúdo pessoal, rico e ardente. Foi ao conviver com todos estes mulheres e homens únicos, singulares e pessoais que a primeira versão não trabalhada e imprecisa de Os Guerreiros de Helgeland surgiu».

Como é sabido, Ibsen escreveu The Feast at Solhoug e, depois disso, Olaf Liljekrans, antes de começar a trabalhar seriamente na ideia de Os Guerreiros de Helgeland. Estes factos devem ter decorrido algum tempo depois da encenação de Olaf Liljekrans no Det Norske Theater, em Bergen, em Janeiro de 1857. No entanto, a peça foi terminada em Cristiânia no Outono do mesmo ano.

Em meados de Julho de 1857, Ibsen foi a Cristiânia com o fim de investigar mais cuidadosamente uma possível proposta para uma posição como «Director artístico» no Kristiania Norske Theater. A 23 de Julho, o autor enviou uma carta à direcção do Det norske Theater, em Bergen, na qual confirmava ter recebido a proposta e pedindo para a cessação do seu contrato com este último teatro. Chegou-se a acordo e, a 3 de Setembro de 1857, Ibsen assumiu a sua nova posição no Kristiania Norske Theater.

Mais ou menos na mesma altura, a peça Os Guerreiros de Helgeland estava concluída. Ibsen entregou-a no Teatro de Cristiânia, e não ainda no teatro em que trabalhava. O autor acreditava que peça era demasiado exigente para o elenco do Kristiania Norske Theater.

Primeira edição
A obra Os Guerreiros de Helgeland foi publicada como suplemento do semanário literário Illustreret Nyhedsblad, em Cristiânia, a 25 de Abril de 1858, numa edição de 2 200 exemplares. O número de assinantes era de cerca de 1 700 na época, portanto o proprietário do semanário, H. J. Jensen, ficou com uma quantidade de exemplares que pôs a venda em livrarias. A publicação teve uma recepção bastante positiva, apesar de as críticas não serem unânimes na posição defendida.

Segunda edição
Em 1871, H. J. Jensen anunciou uma «segunda edição» de Os Guerreiros de Helgeland. Uma vez que a peça fora publicada na revista de que era proprietário da revista, Jensen reclamou o direito de a voltar a publicar. Quando Ibsen soube do assunto ficou furioso e, a 17 de Setembro de 1871, enviou de Dresden a seguinte carta, de tom bastante forte, a Jensen:

«Recebi hoje, com grande assombro, a sua carta impertinente e desavergonhada, na qual vejo que propõe publicar uma nova edição das minhas obras dramáticas Lady Inger of Østråt e Os Guerreiros de Helgeland. Nem será necessário dizer que me oponho veementemente ao seu arquitectado ataque à minha bolsa. O senhor não tem o mínimo direito de propriedade sobre as obras acima mencionadas, que eu, em determinada altura, vendi para utilização exclusiva do Illustreret Nyhedsblad. Devo ainda informá-lo de que ambos os livros irão ser publicados pela editora Gyldendalske Boghandel sob forma completamente revista e que o público será imediatamente informado deste facto, de modo de que o seu premeditado golpe nada mais lhe trará que vergonha e prejuízos. Além disso, entreguei hoje esta questão a um advogado e, caso se atreva a dar continuidade à sua intenção, demonstrar-lhe-ei, tanto na imprensa como nos tribunais, a que conduz este tipo de vilania.

No entanto, Jensen não cedeu e o livro foi publicado. O caso terminou em tribunal e Ibsen ganhou. Jensen teve de pagar uma compensação e os custos do processo, sendo a edição confiscada e destruída.

A segunda edição «legal» foi publicada pela editora Gyldendalske Boghandel (F. Hegel), em Copenhaga, em 1873. Ibsen efectuou algumas alterações na peça, mas tratou-se fundamentalmente de aspectos de natureza ortográfica.

Primeira representação
A primeira representação de Os Guerreiros de Helgeland ocorreu no Kristiania Norske Theater, o teatro do próprio Ibsen, a 24 de Novembro de 1858.

Tal como referido acima, Ibsen entregou a peça ao Teatro de Cristiânia primeiro, sendo aceite para encenação em Março de 1858. Porém, a produção não chegou a ocorrer. Ibsen foi informado pela direcção de que a situação financeira do teatro não permitia que se fizesse pagamentos por obras originais e, assim, a peça não pode ser encenada na altura. Ibsen sentiu-se provocado, acreditando tratar-se de uma desculpa para pôr a produção na prateleira e, no Aftenbladet de 10 de Março de 1858, publicou um artigo com o título «Et Træk af Cristiânia danske Theaters Bestyrelse» («Uma Característica da Direcção do Teatro Dinamarquês de Cristiânia» ). O autor acusou o teatro de não promover os interesses da literatura dramática norueguesa. Esta acção deu azo a um aceso debate na imprensa, no qual tomaram parte Paul Botten-Hansen e Bjørnstjerne Bjørnson.

Tal como referido acima, Ibsen considerava que o seu próprio teatro norueguês não detinha a competência necessária para levar a cena uma produção em grande escala de Os Guerreiros de Helgeland. Chocado com a fraqueza do Teatro de Cristiânia, Ibsen decidiu assumir ele a tarefa. O debate nos jornais ajudou-o a capturar o interesse do público pela peça, o que deu lugar a que houvesse casa cheia. A peça foi bem recebida pelo público e pelos críticos, mas realizaram-se apenas algumas representações.

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