A conclusão dos trabalhos de recuperação foi assinalada com um concerto de música clássica interpretada pelo Trio Intempore e a mezzo-soprano Natália de Carvalho, realizada na Sala da Música do palácio. O concerto foi seguido por uma visita à biblioteca, guiada pelo Presidente do Conselho de Administração dos Parques de Sintra, Dr. António Lamas, em que os visitantes puderam apreciar o avanço dos trabalhos. Estiveram presentes na inauguração, entre outros, o Ministro do Ambiente, Francisco Nunes Correia, e a Embaixadora da Noruega, Inga Magistad.
A recuperação da biblioteca faz parte de uma reabilitação total do interior do Palácio de Monserrate, possibilitada por uma contribuição de 750 mil euros pelo mecanismo financeiro europeu dos EEA Grants – maior parte suportado pela Noruega. As fachadas e coberturas do pálacio já foram recuperadas, entre 2001 e 2004, em resposta aos fortes apelos para a necessidade de travar a degradação de um dos mais notáveis exemplares do património romântico.
Cerca de 64.800 euros foram aplicados só na recuperação da biblioteca. O espaço, que conservava a maior parte do seu mobiliário, nomeadamente a estantes em madeira, apresentava o papel de parede e frisos em estuque com pintura decorativa em muito mau estado. A intervenção, acompanhada pelo Instituto dos Museus e da Conservação, através do Laboratório de Conservação-Restauro José Figueiredo, começou pelo tratamento das superfícies de estuque, mediante limpeza e preenchimento de lacunas do tecto. Também foram produzidos novos papeis de tecto e de parede, e uma faixa de pintura entre as estantes e o tecto foi repintada nas cores originais. Numa segunda fase serão restauradas as superfícies decorativas das restantes salas do palácio.
O Palácio de Monserrate foi projectado em 1856 pelo arquitecto inglês James Knowles Jr., e construído entre os anos 1860 e 1863. Inspirado pelo grandioso Brighton Pavillion em Sussex, Inglaterra, o seu estilo pode ser descrito como victoriano com sugestões neogóticas, indianas e mouriscas. O palácio foi habitado pelo inglês Sir Francis Cook, nomeado visconde de Monserrate pelo rei Luís Filipe I de Portugal. Cook, que era um apaixonado coleccionador de plantas, estabeleceu também um jardim botânico nos arredores do palácio, ao qual trouxe uma serie de plantas e árvores tropicais das suas muitas viagens pelo mundo. Pelo seu encanto romântico e interesse histórico e cultural, o Palácio de Monserrate e os seus arredores formam hoje uma das atracções turísticas mais apreciadas de Sintra.