A Noruega espera ver um consenso global sobre a meta para limitar o aumento da temperatura média global num máximo de dois graus Celsius, em comparação com os níveis pré-industriais. Para atingir este objectivo, as emissões globais de gases com efeito de estufa terão de ser reduzidos em 50–85% até 2050.
Como o Primeiro-Ministro Stoltenberg afirmou, “ a transição para uma sociedade com baixas emissões de carbono exigirá grandes esforços de investigação e de desenvolvimento relacionados com as energias renováveis e com a eficiência energética.”
Contudo, é realista esperar que os combustíveis fósseis, incluíndo o carvão, possam ser utilizados ao longo das muitas décadas que se avizinham. É por isso que o Primeiro-Ministro acredita que a tecnologia CCS irá desempenhar um papel importante na redução das emissões associadas à energia, que actualmente são os maiores contribuintes para as alterações climáticas globais.
Desde 1996 que StatoilHydro tem, com sucesso, capturado e armazenado mais de 10 milhões de toneladas de CO2 no campo de petróleo Sleipner no Mar do Norte. Foto: Alligator film / BUG / StatoilHydro.
A Tecnologia-Chave
CCS é uma tecnologia utilizada para a captura e armazenamento de CO2 a partir de parques termoeléctricos a carvão e gás natural, de outras indústrias com emissões intensivas e de outros consumidores de combustíveis fósseis. O Painel Intergovernamental sobre as Mudanças Climáticas (IPCC) verificou que para além das medidas para melhorar a eficiência energética, esta tecnologia detém maior potencial para reduzir as emissões globais de gases com efeito de estufa.
Esta tecnologia, por si só, poderia reduzir as emissões em cerca de 20% e, portanto, será uma ferramenta importante nos esforços para evitar as alterações climáticas antropogénicas.
CCS na ordem do dia, nas vésperas de Copenhaga
Existe um grande interesse na conferência, e até agora, ministros de 15 países já confirmaram a sua participação nesta conferência.
As discussões na Conferência de Bergen irão ser um contributo valioso para a Conferência das Nações Unidas sobre o Clima a ter lugar em Copenhaga em Dezembro de 2009 e para outros processos internacionais, como a reunião G8, em 2010.
A Noruega está a trabalhar no sentido de garantir que os incentivos para o CCS estejam incluídos no acordo de Copenhaga, incluídos como uma actividade de projecto ao abrigo do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo.
CCS em larga escala
Desde 1996, a empresa norueguesa StatoilHydro tem, com sucesso, capturado e armazenado mais de 10 milhões de toneladas de CO2 no campo de petróleo Sleipner no Mar do Norte.
Actualmente um milhão de toneladas de CO2 é armazenado anualmente na formação geológica Utsira a cerca de 1000 metros abaixo do fundo do mar. Isto é o equivalente às emissões de 300 000 carros.
O reservatório Utsira está a ser monotorizado por investigadores norueguêses e estrangeiros. A União Europeia está a contribuir para o financiamento.
Desenvolvimento da tecnologia CCS
Muitas tecnologias CCS ainda estão em fase inicial de desenvolvimento e os desafios continuam a ser resolvidos antes que o CCS possa ser aplicado em larga escala nos parques termoeléctricos a carvão e gás natural.
A próxima meta da Noruega será operar completamente o CCS no parque termoeléctrico situado em Mongstad e no parque termoeléctrico a gás natural em Kårstø. As possibilidades de utilização em grande escala do CCS em Mongstad estão a ser avaliadas num centro experimental, o qual estará operacional em 2011.
A União Europeia reconhece a importância do CCS e está a planear apoiar várias facilidades de demonstração. O Reino Unido assumiu a liderança como um dos países mais activos. A tecnologia CCS também figura, com destaque, no debate público sobre as novas tecnologias climáticas em países como os Estados Unidos da América, Canadá, Austrália e Japão.